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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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Presumi que ela entendeu o que eu disse como um elogio, pois estampou um sorriso animado e agradeceu. Calculei que, despretensiosamente, havia-me dado bem e dei sequência:

– Você é uma mulher exuberante.

Ela mostrou seu rosto enfurecido:

– Se eu sou exuberante o problema é meu! A exuberância é minha!

– Calma, moça! Não confunda exuberante com ignorante. Eu quis dizer que você é charmosa.

Ela sorriu novamente:

– Ah, sim! Obrigada!

Percebi que estava perdendo o meu tempo. A Carla Perez pobre não fazia o meu tipo. Sua inteligência quase ausente era irritante demais. Não que eu fosse levar a G. B. R. (gata de baixa renda) ao motel pra inquiri-la acerca do Teorema de Pitágoras, mas me interessa o “antes” e o “depois”.Clicando aqui, você lê o texto completo
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À meia luz, a vista de Bence Kocsis foi-se acostumando com a iluminação escassa do quarto de dormir. Deitado, olhava a tinta branca do teto do qual ainda podia sentir olfativamente o seu frescor e tentava recordar-se desta última manutenção doméstica.

Vencida a inércia matutina, entreviu-se, ainda com as pálpebras semicerradas, no espelho do lavabo, fazendo a sua higiene bucal cotidiana. Seu estado mental quase letárgico não lhe permitiu ser tomado por um choque espiritual especulativo, daqueles que nos obrigam a refletir sobre quem somos, mas uma sensação esquisita lembrava-lhe da frase clássica de Shakespeare.

Já a caminho do serviço com o seu Trabant amarelo soviético modelo 1984, como de costume, entretinha-se com a paisagem do rio Danúbio. Os movimentos automáticos comuns a um motorista que dirige diariamente pela mesma rodovia há mais de dez anos davam-lhe o conforto da divagação.
Trecho do conto "As gotas dos olhos que escoaram pelo Danúbio"
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Os olhinhos do menino, que, aos meus olhos, era um marciano, eram tão pequeninos que pareciam não existir e começaram a ficar vermelhinhos e saltar para fora. O samurai, que dentro do orientalzinho existia, começava a ficar incomodado: "Cadê a dignidade dos seus antepassados, que gritaram BANZAI e abraçaram uma granada, antes de explodirem-se, ao cabo da Segunda Guerra Mundial?" – bradava o seu "eu interior".

Terminou a brincadeira da cambalhota. Era hora de dividir os fedelhos em dois times. O primeiro da fila abaixava-se e corria, de quatro, por baixo das pernas abertas de todos os outros membros do seu bando, até o final. Quando lá chegava, postava-se, de pernas abertas também, e aguardava o novo primeiro da fila repetir o ciclo. A equipe cujos membros concluíssem, integralmente, a trajetória, pelo túnel de pernas, seria a campeã. É claro que eu caí na turma do "Banzai".Clicando aqui, você assiste ao filme com animação gráfica
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E, na circunstância de cansarmo-nos de tamanho narcisismo, expelimos nossos DNAs pra que possamos estimar outrem. O que não nos redime de nada porque este apego acaba sendo por um "segundo eu". Assim fica fácil amar o próximo. E, quando queremos criar afeição por qualquer porção de átomos vivos que não seja os nossos próprios DNAs, compramos um cachorro, uma criatura que corresponde com maior facilidade, quase não nos contraria e não quer ser mais do que nós. E, caso a natureza nos aborreça com o famigerado peso de consciência que faz sentirmo-nos "Richthofens", ainda temos o subterfúgio do plágio: imitamos o comportamento da afabilidade e levamos um órfão pra ingerir carboidratos num fast-food que reproduz a alegoria circense em quaisquer dos dias que antecedem a véspera de natal, já que na véspera em si, compartilharemos o sentimento original da benquerença com os nossos próprios ácidos desoxirribonucleicos.Clicando aqui, você lê a crônica completa
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E, de 1989 até aqui, muitos "papais noéis" visitaram-me. Nem sempre fui destemido e tive a bravura de pedir o que a minha alma clamava. Assim como os ciclos de doze meses repetem-se perpetuamente, alternam-se também as baterias sequenciais de audácia e covardia.

O Pogobol de 1988 nunca mais fora reposto e o skate de 1989 eu mal aprendera a usar. Ele apenas serviu para descer algumas ladeiras, sem que as manobras específicas daquele entretenimento fossem por certo aprendidas. Rapidamente esquecido, fora depositado no fundo do porão.

O gravador de 1983 durou bem mais. Nele, registrei os meus sonhos, contei piadas e cantei músicas que compus. A despeito das fitas terem sido perdidas e do aparelho ter-se depreciado com o castigo imposto pelo tempo, ele foi o meu companheiro de devaneios pelo prazo que lhe coube.

Agora, aproximando-me do meu quadragésimo natal, se eu não tomar as devidas precauções, pedirei outro skate, pois nem sempre é fácil convencer a mim próprio que o que existe somente no meu interior e não encontra par no plano externo é aquilo que me faz feliz de fato.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação gráfica
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E se o amanhecer me disser

Sinestesicamente

Que vermelho é o Khmer

Que luta complacente.Clicando aqui, você ouve a música