FacebookTwitterGoogle+Linkedin
Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
X
Eu estava assustado. Profundamente assustado. Calma, Marcelo, o Universo é sábio. Não é à toa que você está com esta revista Caras molhando embaixo do seu sovaco suado.
– Moça, você quer trocar o livro da sua irmã por esta revista?
Ela franziu a testa e pareceu ter experimentado uma metamorfose, transfigurando-se num bagulho mais esquisito do que o Steven Tyler, o vocalista do Aerosmith. Suponho que, no planeta dela, era o modo usual de manifestar contentamento.
Desta feita, a prima bonita do E. T. gritou:
– SIM!
Quem é da Geração X, assim como eu, levanta a mão! Vocês, com certeza, recordam-se do programa Domingo no Parque, do Silvio Santos. Sabe aquele quadro em que as crianças ficavam dentro de um foguetinho, ouvindo música?
O Silvio Santos perguntava se o menino queria trocar a bicicleta por um chiclete de jiló mastigado e o menino gritava: “SIM!".
Foi exatamente desse jeito que ela gritou quando eu a questionei sobre a troca do livro pela revista: “SIM!”.
Soltei a revista no ar e entreguei-a aos caprichos da Lei de Newton. Chocado, recuei pisando três vezes pra trás e saí do edifício a passos largos, andando ligeiro, quase correndo.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
X
Existem coisas que eu não quero saber como funcionam. Quero que simplesmente funcionem. Eu não quero saber como funciona a geladeira da minha casa. Não sou técnico especialista em eletrodomésticos e nem quero ser. Mas, quando eu for pegar a minha Coca-Cola, quero que ela esteja gelada. Isto, de igual modo, vale para quando eu acendo a luz com o intuito de ler um livro ou quando eu coloco o meu pãozinho com margarina no forno microondas. Eu paguei pelos eletrodomésticos e pago todos os meses as contas de luz da minha residência. Paguei para desfrutá-los. No dia em que eu quiser aprender sobre seus funcionamentos, eu vou fazer um curso específico.

Mas não é apenas o conjunto de parafernálias que infesta o meu lar que me custa dinheiro e que eu, obviamente, quero ver em plena condição de usufruto para justificar as minhas suadinhas horas de trabalho investidas nas estrovengas.

Há um aparelho bem grandão que sai muito mais caro para o meu humilde bolsinho. E, aqui, digo "grandão" como diria uma criança diante de um adulto. Este aparelho é o sistema jurídico brasileiro. Seja de primeira ou de segunda instância, estadual ou federal, do trabalho ou militar, eleitoral ou suprema corte.Clicando aqui, você lê o texto completo
X
Marx usou sua voz rouca
Pra mandar Engels calar a boca
Engels saiu correndo até o banheiro
Rebolando como uma dama de p.u.t.e.i.r.o.

O Gesto daquela menina safada
Foi interpretado por Karl Marx
Que correu pela escada
Dizendo que precisava passar um fax.
(Trecho da letra de música "Eu vi Marx comendo Engels")
Clicando aqui, você lê a letra completa
X
Resolver mais de um problema, ao mesmo tempo, dá uma sensação de alívio entusiástico. Eu poderia assistir a uma agradável película e, de quebra, coçar a minha parte íntima, no escurinho, sem passar vergonha em público. Um vexame a menos é igual a um trauma a menos pra minha coleção. Descarrego de lembranças indesejáveis no futuro. Não que eu esteja lá muito preocupado com o que pensam de mim, mas também não preciso chutar o pau da barraca. Preservar-se, de vez em quando, pode ser divertido.

A maioria daqueles estranhos nunca mais me veriam na vida e, os que me veriam, provavelmente, não se lembrariam de mim. Mesmo sabendo disso, sou um cara metido a normal. Evito ficar enfiando as mãos dentro da calça e sacolejando pra alegria de alguns e náusea de outros.

Por coincidência – ou majestosa sincronia do cosmos – lá estava eu, aproximando-me da esquina com a Rua Augusta. Nem as minhas comichões conseguiram tirar o meu contentamento por estar cada vez mais perto da minha segunda casa.
(Trecho do livro de crônicas de Marcelo Garbine)
Clicando aqui, você lê o livro completo no Widbook
X
Vinte minutos era o tempo restante entre a mordida que eu dava naquele sanduíche de rodoviária e o momento indicado pelos algarismos arábicos impressos no bilhete de passagem enfiado no bolso da minha calça.

A quantidade de vidas e histórias que circularam naquele ambiente no qual não havia nenhuma definição certa de área de interesse inquietava-me quanto mais eu brincava de devanear acerca disto. E a aflição era acrescida de demência se o intervalo periódico fosse expandido pela minha imaginação retardada.

Algumas pessoas que ocuparam aquele mesmo espaço muito antes deste que vos fala já estavam pra lá de Bagdá e outras nem existiam mais. Gente que bateu as botas e gente que foi pra casa do... pipi. Mas de que adianta abrir o leque dos anos se o que me convém são os vinte minutos que me cabem? Vinte, não, porque, depois deste passeio inútil que os meus neurônios vagabundos deram entre o córtex pré-frontal e o sistema límbico, só me sobram dezesseis e uns tique-taques.
(Trecho da crônica "Enterrem o meu ego numa urna de safira")
Clicando aqui, você lê o texto completo
X
Olhos entreabertos ao despontar dos primeiros raios
Só óleo entre espetros a lacrimar os canteiros baios
Gotas que surgem macias numa verônica fria
Solta em penugem, descia, suma da crônica lia.

Enredo que ressonava somente dentro de mim
É medo que só me dava no epicentro do fim
Lembrança de infância, brinquedo de plástico partido
Criança em vacância, tão cedo, sarcástico estampido.
(Trecho da transcrição da fala do filme "Mudaram as cores das rosas de Lúcia")
Clicando aqui, você assiste ao filme