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Biscoito da Sorte
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A única coisa ruim foi que a minha namorada da época, a Dani, era muito bravinha e intolerante. Levava os fatos pelo lado negativo, era dona de um controle emocional escassamente desenvolvido e dispunha de pouco senso de humor.

Como eu vivo com a cabeça nas nuvens, esqueci-me destes detalhes...

No dia em que eu recebi a encomenda indesejada, fui ao motel com ela. No caminho, falei que fiz uma burrada e expliquei o ocorrido.

Supus que a Dani consideraria o acontecimento cômico, assim como eu, minha mãe e, posteriormente, inclusive, o próprio autor. Porém, ela não achou graça nenhuma. Fez cara feia, deu-me uma bronca e sentenciou que eu era um jumento cretino que queimava dinheiro e tinha mais é que se ferrar.

Segundo a minha querida amada, se eu morresse, não haveria nada mais justo, ninguém perceberia a minha ausência e o Planeta Terra passaria bem sem mim, além de que eu seria acolhido no seio do local onde eu merecia morar eternamente: a profundeza dos infernos. Mais peculiarmente, num quartinho especial reservado aos lerdos e paspalhos no qual as chamas ardem mais fortes.Clicando aqui, você lê o texto completo
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"Se aqueles estilhaços de vidro não foram escoados pelas águas e os resquícios escuros de pneus não foram apagados, o incidente havia ocorrido há menos de três dias" - Pensou.

Nos arredores do tronco, notou indícios familiares. Conferiu a sola do seu sapato e não hesitou em julgar que as pegadas eram suas. Os desenhos geométricos estampados na lama eram idênticos à simetria procedente do relevo de seu calçado. Mal começou a seguir os sinais, nos primeiros metros, já pôde avistar uma amoreira bem distante. Então, decifrou por que se introduzira na jornada por ali.

Em sua infância vivida em Miskolc, nos primórdios dos anos noventa, morou em uma casa deslocada da cidade. A atmosfera campestre que caracterizava o local era coroada pelo pomar que a família cultivava no quintal.

Contudo, a brandura era ilusória. Seu pai foi um operário beberrão. Ao toque da sirene da metalúrgica, não perdia tempo em sua ida à taberna, na Praça Santa Ana. Enquanto sua mãe, católica fervorosa, assistia à missa na igreja situada no mesmo largo, o homem de aparência abatida e olhar apático, desanuviava suas frustrações com todas as doses de Pálinka que o seu curto salário podia comprar.Clicando aqui, você lê o texto completo
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– Eu sou macho, doutor, se é isso que o senhor quer saber.

– Ah, tá.

– Posso ir embora?

– Eu interrogo o paciente dessa forma para ser sutil. Chega-se à conclusão pelas evidências.

– A minha resposta não serve de base para evidência nenhuma, doutor. Eu sou um “bon vivant”. Graças ao fato de ser solteiro e não ter filhos, pude passar o fim de tarde dessa segunda-feira brava jogando boliche. E, por falar em evidência, quem é o senhor para falar alguma coisa? Olha esse adesivo do Village People estampando a sua agenda. Que coisa linda…

– Para com isso, eu uso barba. Já viu viado com barba?

– O pior que já. Hoje mesmo, na saída do boliche, havia vários travestis com barba. Era uma visão do inferno. Um gritando “aê, mano!” para o outro, do outro lado da rua.

– Pediu o seu dinheiro de volta?Clicando aqui, você lê o texto completo
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No dia seguinte, eu estava sentado no banco da praça do bairro, conversando com os meus brothers, quando vejo, à meia luz, a insigne de Bartira surgindo no horizonte. Ela havia passado um cintilante batom cor-de-rosa na boca. Eca! Pintou algumas luzes naquele cabelinho pixaim, vestiu uma mini-saia vermelha que a dona Hermengarda deve ter conseguido na feira, através de alguma permuta por quiabos ou repolhos, e fez a desgentiliza de calçar um salto alto roxo, tão alto que fazia a Bartira chegar a quase um metro e cinquenta e cinco de altura. Ai, ai, ai! Que constrangimento...

– Oi, Mingau! Como é bom encontrar você por aqui!

– Fala, Bartira... – Eu disse, bem secamente.

– Mingau, você não disse que gostava de mim?

– Não, Bartira, eu somente perguntei se você não percebeu isso ainda, ou seja, no caso, se você não se tocou que não, que eu não gosto de você.

Fica aqui um conselho pras mulheres: façam um curso de interpretação de textos, se não, as senhoritas serão enganadas e iludidas.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação gráfica
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Seu gosto
Não discuto
Não olhe meu rosto
Nem um minuto.

Deixe-me aqui
Vagando a esmo
Ninguém eu vou ferir
A não ser a mim mesmo.

Se assusta se eu respiro
Ou se digo um simples “atim”
Mas não vou dar nem um tiro
A não ser se for em mim.Clicando aqui, você lê a letra de música
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"Eu, simplesmente, não sei".

É com esta afirmação, categórica e displicente, que dou jeito em muitas dúvidas.

Poucos por ela têm simpatia, pois muito se quer responder quando, de fato, nada se sabe e mais bonito e responsável seria ter a humildade de dizer "não sei".

Eu adoro dizer que não sei. Não sei quais são os mistérios da vida, não sei para onde vou quando os meus olhos definitivamente se fecharem, não sei por que estou aqui.

E isto me faz livre. Livre da escravidão das certezas e da mentira para si próprio que muitos nutrem para calar o medo do desconhecido.

Nesta manhã, por exemplo, eu não sei por quê, assim que acordei, havia uma borboleta azul no meu quarto. Eu poderia, caso quisesse, apressar-me em encontrar uma resposta para tal excentricidade. Qualquer bobagem facilmente tragável que fizessem os meus olhos pararem de arder e lacrimejar por serem alvejados e ofuscados por tão frágil e inocente beleza, tão pura e tão terna.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital