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Biscoito da Sorte
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E, então, a guitarra de Slash e a voz de Axl Rose preencheram o espaço interno do carro no momento em que o sol refletia no para-brisas. O silêncio era relegado à época em que uma árvore caía no meio da mata e Uriah questionava-se se houvera estrondo, dado que não existia ninguém na floresta pra ouvi-lo. Agora, todos ouviam! Bastou o alerta do cineasta Yanni Ygor pra que os olhos e os ouvidos voltassem-se a Uriah.

Mas "Sweet Child O' Mine" deixou, bruscamente, de ser emanada aos quatro ventos. Foi um pedaço de arame farpado que fez o veículo parar. Coito interrompido. O mesmo mormaço que dava a nuance do regozijo passou a ser nada mais que um maldito calor infernal e o "pen drive" que continha a gravação da saudosa fita cassete de sua adolescência fora reduzido a um emissor de ruídos.

Ao trocar o pneu, devaneou acerca do epílogo que escrevera pro seu longa-metragem: Gamaliel, o personagem principal, acabou recluso numa clínica psiquiátrica, sonhando em como poderia ter sido diferente, se não tivesse ficado tão obsessivo pela consumação de sua vontade. O fim era triste porque Uriah cria saber como emocionar e porque os espectadores gostam de encontrar conforto na desgraça alheia e poesia nos infortúnios da própria vida insossa, projetando-a nos entes fictícios de uma tela de cinema.Clicando aqui, você lê o conto completo
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Os olhinhos do menino, que, aos meus olhos, era um marciano, eram tão pequeninos que pareciam não existir e começaram a ficar vermelhinhos e saltar para fora. O samurai, que dentro do orientalzinho existia, começava a ficar incomodado: "Cadê a dignidade dos seus antepassados, que gritaram BANZAI e abraçaram uma granada, antes de explodirem-se, ao cabo da Segunda Guerra Mundial?" – bradava o seu "eu interior".

Terminou a brincadeira da cambalhota. Era hora de dividir os fedelhos em dois times. O primeiro da fila abaixava-se e corria, de quatro, por baixo das pernas abertas de todos os outros membros do seu bando, até o final. Quando lá chegava, postava-se, de pernas abertas também, e aguardava o novo primeiro da fila repetir o ciclo. A equipe cujos membros concluíssem, integralmente, a trajetória, pelo túnel de pernas, seria a campeã. É claro que eu caí na turma do "Banzai".Clicando aqui, você assiste ao filme com animação gráfica
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Mas ainda restava uma esperança: o culto titular da cadeira de língua portuguesa, um respeitável senhor septuagenário a quem os alunos atribuíram a alcunha de "mestre dos magos". Ele usufruía de um comportamento enigmático, tamanha era a sua perícia em articular narrativas acerca de costumes arcaicos memoráveis para nortear as novas gerações. Tantas pronúncias belas expressou o catedrático que – não sei se ele notou – eu o elevei à categoria de "meu guru". Eu necessitava mesmo de um mentor. Carecia deparar-me exteriormente com o modelo que eu não tinha em casa. Por isto, optei crer que ele só não lia as minhas redações extras por absoluta falta de tempo e para evitar sugestionar-me e comprometer o meu estilo literário. E ele ainda esmerava-se no cuidado para não me deixar chateado. Fingia que lera os meus textos e fazia comentários genéricos, afirmando que gostou do que eu escrevi e que eu estava melhorando, mesmo quando inseri uma receita de bolo na folha pautada. E que importância isto tem? Tudo era por uma causa justa: não me entristecer e incentivar-me. Pelo menos, esta era a minha fé. E tão ferrenha era a minha convicção em sua índole superior que, uma vez, estando eu na fila do banco, ao vê-lo humilhar grosseiramente a mocinha do caixa, virei o rosto e aumentei o volume do meu walkman para preservar minha certeza.Clicando aqui, você lê o texto completo
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A consonância produzida pelo arco no violino friccionando as cordas aumentava enquanto atravessava uma plantação de girassóis. Com seu discernimento distante, meramente devaneava como teria sido mais poético se Mendel tivesse utilizado girassóis em seus experimentos biológicos em vez de ervilhas.

Da hereditariedade das ervilhas para a sua própria, a abstração delicada era suplantada pelos prognósticos do seu futuro com a moça. Como seriam os seus filhos? O comportamento detestável do pai seria por ele imitado? Ela era digna de germinar sua semente?

Cruzada a plantação, aos pés da amoreira, enxergou a folia. Doze participantes estavam ali. As mulheres com seus vestidos preponderantemente vermelhos e cabelos cobertos com lenços floridos. Os homens com seus chapéus, coletes, calças e botas pretos e camisa branca com mangas compridas, largas e folgadas. No meio, um violino era tocado com veemência. Até aí, era apenas um festejo com dança típica que ele já conhecia. Mas havia algo sinistro, um elemento alheio ao rito padrão. Uma senhora com indumentária cigana passava com uma bandeja diante dos convivas, servindo uma bebida de coloração vermelha.Clicando aqui, você lê o conto completo
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É tanta luz que ofusca meu olho

E até descola a minha retina

E esse é o caminho que eu escolho

Adentro vereda paulatina.Clicando aqui, você lê a poesia completa
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– Filho, você vai precisar operar o saquinho! O chute do Nakano machucou as suas bolinhas!

– Sério, mamãe?

Apesar de só ter seis aninhos, eu lembro como se fosse hoje: eu deitado numa maca de rodinhas, sendo levado por cerca de meia dúzia de homens e mulheres, com roupas e máscaras verdes, até a mesa de cirurgia.

“Cambada de covardes”, eu pensei, “por que eles precisam esconder-se atrás de máscaras?”
(Trecho da crônica para rádio "O chute que eu tomei no saco")
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