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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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Para mim, o costume servia, unicamente, para marcar a cadência que me ajudava a localizar-me na harmonia do mundo, fazendo contrapeso com o meu isolamento quase autista, mas para a minha mãe a data era de suma importância.

Tanto brilhavam os olhos dela que eu não tinha coragem de subtrair, de antemão, o pacote comprido e achatado – que eu sabia ser o meu skate – do saco de presentes. Notava-se aí a inversão de papéis: cabia ao filho fingir para agradar a mãe.

Meu ânimo era bem fraco. Acho que em virtude do que ocorrera um ano antes: os meus primos furaram o meu Pogobol, depois de brincarem com ele no asfalto, mesmo eu dizendo que não podia. O que adiantou tê-lo degustado com os olhos durante os três meses antecessores, nos comercias do Bozo?

Apesar da pouca idade, o saudosismo já tomava conta do meu coração. No ano de 1989, sentia falta do longínquo 1983, quando ganhei um gravador. Aquele, sim, havia sido dado pelo Papai Noel de verdade. E eu passei o dia vinte e cinco inteirinho gravando programas numa fita cassete. Depoimentos e entrevistas nas quais revelei o que eu seria quando crescesse.Clicando aqui, você lê o texto completo
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Onde está a bela tarde de sol
Prometida pelo garotinho de três anos?
A esperança parou no farol
E os sonhos viraram profanos.

Quem me dera voltar ao passado
E pedir desculpas ao garotinho
Que estará no canto isolado
Chorando bem baixinho.

Não sei se ele irá perdoar o meu furo
E não deixa de ter toda a razão
Afinal, estraguei seu futuro
Como a má rima estraga o refrão.Clicando aqui, você lê a poesia completa
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Gotas de suor de sua testa caíam no asfalto, enquanto ele girava a porca com a chave cruz e, compenetrado no serviço mecânico, nem se deu conta de que, do Lada Niva emparelhado com o seu automóvel, saiu a pessoa que, supostamente, oferecer-lhe-ia socorro. E o auxílio vinha em instante exato, pois o estepe que, com tanto esforço, colocou estava danificado. O gentil cidadão doou o seu e, então, seguir viagem.

Ao dar a partida, enxergou, pelo retrovisor, o idoso tranquilo. Percebeu uma roda a menos em seu Niva. Engatando a ré, voltou pra averiguar.

– Você me cedeu um dos pneus do seu carro, senhor? Presumi que fosse o seu estepe.

– Dei o meu estepe pra outro motorista que precisou de um, há cinco léguas daqui. Posso aguardar o guincho. Você necessita dele mais que eu.

O indivíduo solitário proferiu mais algumas dezenas de palavras que ele não escutou. Quando o misterioso ancião mencionou que captara a conquista do querer em seu semblante, o encanto foi tamanho que ele só conseguiu ouvir, novamente, a música tocando em sua cabeça. Apenas certificou-se de que o sujeito possuía um aparelho celular pra acionar o resgate, agradeceu e foi embora.Clicando aqui, você lê o conto completo
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Semana passada, acordei e abri a janela do meu quarto. Vi uma casa. Casa? Mas, pelo que me lembre, era um terreno baldio. Puro mato. (...)

Construíram uma casa e nem percebi. E já tem até uma família morando nela. Onde estava eu com a cabeça que nem notei esta casa sendo construída? Não me ausentei muito durante os últimos meses, nem durante as últimas semanas.

Os operários trabalhadores colocaram tijolinho por tijolinho e eu não prestei atenção em nenhum sequer...
(Trecho da crônica para rádio "Sobre dinossauros, casas e o tempo...")
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– Eu posso examinar você?

– Pode, né…

Deitei de bruços, na maca, conformado, achando que esse era o auge da humilhação que eu teria de passar naquele dia. Doce ilusão…

– Você se incomoda se eu chamar a minha colega para que ela me ajude a examinar você?

Ela tomou o meu silêncio como um sim…

A sensação de ser o protagonista de um circo de aberrações não acabou por aí. Ainda havia o encaminhamento para o proctologista… De novo, de bruços, na maca… que merda…
(Trecho da crônica para rádio "Cheguei ao cume do sucesso!")
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O cansaço físico, mesmo que suportado forçosamente, não prejudica o corpo, enquanto o conhecimento imposto à força não pode permanecer na alma por muito tempo.
(Apotegma de Platão)
Clicando aqui, você ouve o podcast sobre as imposições sociais e o medo da rejeição. Nele, Marcelo Garbine e sua galera misturam humor com filosofia. Uma mesa-redonda muito legal!